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Morre Guerrinha aos 70 anos, e é homenageado pelo Grêmio
O jornalismo esportivo brasileiro perdeu nesta quarta-feira (28) um de seus personagens mais conhecidos no Rio Grande do Sul.
Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morreu aos 70 anos, em Porto Alegre, após enfrentar uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
O jornalista estava internado no Instituto de Cardiologia da capital gaúcha.
A morte foi confirmada pelo Grupo RBS, empresa onde Guerrinha trabalhou durante 43 anos e construiu grande parte de sua trajetória profissional.
Grêmio presta homenagem
Mesmo sendo publicamente identificado como torcedor do Internacional, Guerrinha conquistou respeito também entre gremistas ao longo de décadas acompanhando e comentando o futebol gaúcho.
Após a confirmação da morte, o Grêmio publicou uma homenagem nas redes sociais.
O clube destacou que Guerrinha se tornou uma das vozes mais marcantes da história do rádio no Rio Grande do Sul e afirmou que o jornalista deixou sua marca na comunicação esportiva e no futebol gaúcho.
Na mensagem, o Tricolor desejou que o legado do comunicador permaneça na memória dos torcedores, familiares, colegas e amigos.
Respeitado por gremistas e colorados
Guerrinha nunca escondeu sua ligação afetiva com o Internacional.
Isso, porém, não impediu que construísse uma trajetória de respeito entre os dois lados da rivalidade Gre-Nal.
O estilo direto, bem-humorado e frequentemente irônico se tornou uma das marcas de seus comentários.
A própria homenagem do Grêmio ressaltou esse reconhecimento para além das cores clubísticas.
Ao longo dos anos, Guerrinha analisou vitórias, derrotas, títulos, crises e personagens de Grêmio e Internacional, transformando-se em uma figura familiar para gerações de ouvintes gaúchos.
Internacional também lamentou a morte
O Internacional também divulgou nota de pesar.
O clube lembrou Guerrinha como colorado assumido e destacou sua longa participação na imprensa esportiva do Rio Grande do Sul.
Entre momentos ligados à história colorada, o jornalista ficou conhecido também por dar voz à crônica “Não me acordem”, escrita por Luis Fernando Verissimo para celebrar a conquista do Mundial de Clubes de 2006.
Apesar de sua identificação com o Inter, a trajetória profissional ultrapassou a rivalidade esportiva e foi reconhecida por torcedores e dirigentes de diferentes clubes.
Infecção pulmonar evoluiu para quadro generalizado
Segundo o comunicado oficial do Grupo RBS, Guerrinha morreu em decorrência de uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Ele estava internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre.
A informação é a versão oficial divulgada pela empresa onde o jornalista trabalhava.
Mais de cinco décadas no jornalismo
A trajetória de Guerrinha começou ainda nos anos 1970.
Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), ele publicou seus primeiros trabalhos no extinto Jornal Hoje.
Depois passou pela Folha da Manhã e pelo Correio do Povo.
Nos primeiros anos de profissão, uma de suas principais áreas de cobertura era o turfe, paixão que carregava desde a infância.
Em 1983, Guerrinha retornou ao Grupo RBS.
A partir dali, passou por diferentes veículos e funções, consolidando o nome no jornalismo esportivo do estado.
Do jornal para o rádio
Apesar de ter construído uma trajetória importante no jornalismo impresso, Guerrinha ganhou enorme popularidade por meio do rádio.
Na Rádio Gaúcha, tornou-se comentarista esportivo e participou das principais jornadas de futebol.
Seu jeito particular de analisar os jogos, misturando opinião, ironia e frases de efeito, tornou-se facilmente reconhecido pelos ouvintes.
Ele estreou como comentarista de rádio em 1999.
Presença histórica no Sala de Redação
Outro capítulo marcante da trajetória foi a participação no Sala de Redação, tradicional programa esportivo da Rádio Gaúcha.
Guerrinha chegou à bancada em 2004, inicialmente para substituir Kenny Braga durante um período de férias, e permaneceu no programa.
A participação no debate esportivo ampliou ainda mais a popularidade do comentarista.
Suas frases, comparações e provocações passaram a fazer parte do cotidiano dos ouvintes.
“Lei Guerrinha”
Entre as expressões que ficaram associadas ao jornalista está a chamada “Lei Guerrinha”.
A brincadeira era utilizada para comentar mudanças feitas por treinadores mesmo quando uma equipe estava funcionando bem.
As frases de efeito se tornaram uma das principais características do comunicador.
Mais do que bordões, ajudaram a construir uma linguagem própria, facilmente identificada pelos ouvintes.
Paredão do Guerrinha
O jornalista também comandou o Paredão do Guerrinha, programa de entrevistas lançado em 2014.
A atração reuniu personagens do futebol, do jornalismo e de outras áreas em conversas conduzidas pelo estilo descontraído do apresentador.
Ao longo da carreira, Guerrinha também atuou em televisão, jornais e plataformas digitais.
43 anos no Grupo RBS
Em 2023, o jornalista recebeu uma homenagem pelos 40 anos de trabalho no Grupo RBS.
Na época de sua morte, acumulava 43 anos na empresa e mais de cinco décadas de atividade jornalística.
A trajetória atravessou diferentes fases do jornalismo, da imprensa impressa à consolidação do rádio, televisão, internet e podcasts.
Família
Guerrinha deixa a esposa Kathia, as filhas Michelle e Karine e os netos João Vitor, Manoela e Eduarda.
Até as primeiras horas desta quarta-feira, não haviam sido divulgadas oficialmente informações sobre velório e despedida.
Um personagem que ultrapassou a rivalidade Gre-Nal
A manifestação do Grêmio resume um dos aspectos mais marcantes da trajetória de Guerrinha.
Embora sua preferência pelo Internacional fosse conhecida publicamente, sua carreira foi construída acompanhando o futebol gaúcho como um todo.
Foram décadas debatendo Grêmio, Inter, Seleção Brasileira, treinadores, dirigentes, jogadores e as mudanças do próprio futebol.
A morte de Guerrinha provoca homenagens não apenas de colorados, mas também de gremistas, colegas de profissão e ouvintes que acompanharam sua carreira.
A irreverência, o humor e a maneira peculiar de comentar futebol fizeram de Adroaldo Guerra Filho uma das vozes mais conhecidas da comunicação esportiva gaúcha.