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Bancada feminina cresce e Congresso terá maior número de mulheres da história

Câmara terá 109 deputadas federais na próxima legislatura, enquanto Senado passará a contar com 18 mulheres entre as 81 cadeiras

A participação feminina no Congresso Nacional vai atingir o maior nível já registrado no Brasil a partir da próxima legislatura. Nas eleições de 2026, 109 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados, enquanto 12 conquistaram vagas no Senado Federal, segundo levantamento divulgado pela Agência Brasil.

Na Câmara, o número de deputadas passará das atuais 90 para 109, um crescimento de aproximadamente 21%. Apesar do avanço, as mulheres ainda representarão pouco mais de um quinto das 513 cadeiras da Casa.

Câmara terá 109 mulheres

O crescimento da bancada feminina ocorreu mesmo com uma redução no número de candidatas a deputada federal.

Em 2022, 3.317 mulheres disputaram uma vaga na Câmara. Em 2026, foram 2.820 candidatas.

Apesar da redução na quantidade de concorrentes, aumentou o número de eleitas.

As 109 deputadas representarão aproximadamente 21,2% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.

Entre os grupos partidários citados no levantamento, a federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 34 mulheres, o maior número entre as legendas e federações mencionadas.

Senado elege 12 mulheres em 2026

No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas que estavam em disputa neste ano.

O resultado supera o registrado em 2018, última eleição em que também houve renovação de dois terços do Senado. Naquele pleito, oito mulheres foram eleitas.

Como os senadores possuem mandatos de oito anos e apenas parte das cadeiras é renovada a cada eleição, a composição feminina da Casa passará das atuais 15 senadoras para 18 a partir de 2027.

Isso representa aproximadamente 22,2% das 81 cadeiras do Senado.

O Distrito Federal terá uma situação inédita. Com duas mulheres eleitas neste ano e uma senadora que permanece no mandato, a unidade da Federação passará a contar com três representantes mulheres no Senado.

Já o Piauí, segundo o levantamento, permanece como o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o cargo de senadora.

Mulheres continuam sendo minoria

Apesar do crescimento, homens ainda ocuparão quase oito de cada dez cadeiras tanto na Câmara quanto no Senado.

Na Câmara, as mulheres representarão cerca de 21% dos parlamentares. No Senado, a participação feminina ficará pouco acima de 22%.

O resultado mostra avanço na presença das mulheres nos espaços de decisão política, mas também evidencia que a representação ainda está distante de acompanhar a proporção feminina da população brasileira.

Mais mulheres eleitas não significa posição política única

O aumento da representação feminina também não significa necessariamente maior uniformidade na defesa de determinadas pautas.

A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli, ouvida pela Agência Brasil, destaca que o crescimento da presença feminina no Parlamento também aumenta a diversidade ideológica entre as próprias parlamentares.

Na prática, mulheres eleitas podem defender posições bastante diferentes sobre economia, direitos sociais e políticas relacionadas à igualdade entre homens e mulheres.

Isso mostra que a presença feminina deve ser analisada não apenas pela quantidade de parlamentares, mas também pela diversidade política existente dentro desse grupo.

Número de mulheres negras cresce na Câmara

Outro dado destacado pelo levantamento envolve a representação de mulheres negras.

De acordo com a organização Mulheres Negras Decidem, pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas deputadas federais em 2026.

Em 2022, nove haviam sido eleitas.

O crescimento, portanto, foi de aproximadamente 66,7%.

A coordenadora política da organização, Tainah Pereira, também destacou a presença de mulheres mais jovens entre as novas parlamentares, apontando para uma renovação da representação feminina e negra na Câmara.

Senado não elege nenhuma mulher negra entre as novas senadoras

O cenário foi diferente no Senado.

Segundo os dados apresentados, nenhuma das 12 mulheres eleitas em 2026 é negra.

A representação de mulheres negras continua, portanto, bastante reduzida na história da Casa.

Benedita da Silva foi a primeira mulher negra eleita para o Senado, em 1998. Segundo o levantamento, apenas quatro mulheres negras ocuparam uma cadeira de senadora ao longo da história brasileira.

Representação cresce, mas diferença permanece grande

O resultado das eleições de 2026 consolida uma ampliação gradual da participação das mulheres no Congresso Nacional.

Ainda assim, os números demonstram que a presença feminina permanece muito abaixo da masculina.

A partir de fevereiro de 2027, as novas deputadas e senadoras assumem seus mandatos e passam a integrar a maior representação feminina já registrada no Congresso brasileiro.

Fonte: Agência Brasil.

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