Itabira Mais
Portal Mineiro de Notícias

Moraes rebate críticas e acusa defesas de agir com má-fé sobre delação de Mauro Cid

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (9/9) o julgamento do chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista. O processo envolve oito acusados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como líder de uma organização criminosa que teria planejado um golpe de Estado para mantê-lo no poder.

A análise ocorre na Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros. O relator do caso, Alexandre de Moraes, abriu a sessão tratando das questões preliminares levantadas pelas defesas. Ele reafirmou a validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Segundo Moraes, não há indícios de coação na colaboração de Cid. O ministro destacou que todos os depoimentos foram gravados em áudio e vídeo e que a fragmentação em oito partes foi uma estratégia da Polícia Federal (PF), já que cada sessão tratava de temas distintos, como o caso das joias e o suposto esquema de falsificação de cartões de vacina.

Moraes também afastou a tese de nulidade do acordo, sustentando que a colaboração premiada pode ser firmada pela PF e não apenas pelo Ministério Público. Ele lembrou que o próprio plenário do STF já havia validado essa possibilidade por ampla maioria.

Quanto ao vazamento de áudios de Cid, o relator afirmou que não houve prejuízo à defesa. Sobre a acusação de versões contraditórias, disse que os depoimentos tratavam de fatos diferentes e não se anulam entre si. “Não há oito delações distintas, mas sim oito depoimentos dentro do mesmo acordo”, reforçou.

Próximos passos do julgamento

A expectativa é que, ainda nesta terça, o ministro Flávio Dino também apresente seu voto. Na quarta-feira (10/9), a sessão será pela manhã e poderá começar com a manifestação de Luiz Fux, que pode divergir de Moraes. Em seguida, devem votar Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Caso não haja atraso, o julgamento deve ser concluído até sexta-feira (12/9). Se confirmada a condenação, a discussão passará ao cálculo das penas de cada acusado, podendo se estender para a semana seguinte.

Quem são os oito réus julgados

  • Jair Bolsonaro – capitão do Exército (1973–1988) e presidente da República (2019–2022).
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin, delegado da PF e atual deputado federal.
  • Almir Garnier – almirante de Esquadra, comandou a Marinha no governo Bolsonaro.
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF nos atos de 8 de janeiro.
  • Augusto Heleno – general da reserva, foi ministro do Gabinete de Segurança Institucional.
  • Mauro Cid – tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso.
  • Paulo Sérgio Nogueira – general do Exército, ocupou o cargo de ministro da Defesa.
  • Walter Braga Netto – general da reserva, foi ministro da Casa Civil e da Defesa, além de candidato a vice de Bolsonaro em 2022.

O julgamento, iniciado no dia 2 de setembro, promete ser um dos mais emblemáticos da história recente do STF, pois poderá definir não apenas a responsabilidade penal dos acusados, mas também abrir precedentes jurídicos sobre delações, acordos com a Polícia Federal e crimes contra a democracia.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, assine agora.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais informação