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Dólar abre em alta com tensões comerciais após ameaças de Trump ao Brasil e União Europeia

O dólar iniciou a semana em alta nesta segunda-feira (14), refletindo a cautela dos investidores diante das recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de impor tarifas a produtos do Brasil, União Europeia e outros parceiros comerciais. Às 9h03, a moeda norte-americana avançava 0,36%, cotada a R$ 5,5678.

Na sexta-feira (11), o dólar fechou praticamente estável, com leve alta de 0,09%, a R$ 5,546, influenciado pelas expectativas de um possível acordo tarifário entre Brasil e EUA. Na semana, a moeda acumulou valorização de 2,24% frente ao real, enquanto no acumulado do ano ainda registra queda de 10,24%.

A tensão no câmbio ocorre após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, feita por Trump na quarta-feira (9). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu afirmando que o Brasil buscará negociar, mas que poderá aplicar medidas de reciprocidade conforme previsto em lei.

“O que o Brasil não aceita é intromissão. Se ele [Trump] ficar brincando de taxação, vai ser infinita essa taxação”, declarou Lula em entrevista.

Na manhã desta segunda-feira, o dólar chegou a atingir a máxima de R$ 5,591, às 10h55, impulsionado pela incerteza em torno do desdobramento das declarações. No entanto, durante a tarde, a moeda desacelerou os ganhos e chegou à mínima de R$ 5,540 às 16h19, após Trump sinalizar que poderá conversar com o presidente Lula “em algum momento”, ao deixar a Casa Branca rumo ao Texas.

Na avaliação de analistas, um possível conflito comercial entre os dois países pode pressionar o dólar, elevar a inflação, gerar insegurança entre investidores estrangeiros e afetar diversos setores da economia brasileira.

“É bem provável que vejamos o dólar mais estressado nos próximos dias”, disse Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos.

Segundo o especialista, além das tarifas, Trump também citou fatores internos do Brasil, como insegurança jurídica e ativismo judicial, como motivos para a medida, o que pode afastar o investimento estrangeiro direto.

Jeff Patzlaff, planejador financeiro, destacou que setores como indústria, commodities e bens manufaturados seriam os mais afetados, com impacto potencial sobre a inflação e a taxa básica de juros (Selic). Ele aponta risco de aceleração da inflação e pressão para manutenção de juros em patamares elevados.

Apesar do cenário, o Ministério da Fazenda afirmou, em boletim da Secretaria de Política Econômica (SPE), que o impacto das tarifas dos EUA deve ser limitado a setores específicos e não comprometerá significativamente a projeção de crescimento do PIB em 2025.

A China também criticou a postura dos EUA. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que “tarifas não devem ser usadas como ferramentas de coerção, intimidação ou interferência em assuntos internos”.

Além do Brasil, Trump anunciou intenção de aplicar tarifas de 35% sobre produtos do Canadá a partir de 1º de agosto, alegando insatisfação com o fluxo de fentanil para os EUA. Também há rumores de que as tarifas básicas sobre países sem taxações específicas podem subir de 10% para até 20%.

Essas movimentações contribuíram para a volatilidade nos mercados. O índice VIX, que mede a aversão ao risco em Wall Street, subiu 3,93% e atingiu 16,40 pontos.

Na Bolsa brasileira, o Ibovespa encerrou o pregão de sexta-feira com queda de 0,40%, aos 136.187 pontos, acumulando retração semanal de 3,64% e mensal de 1,96%. Entre os destaques negativos estiveram as ações da Localiza, que caíram 4,15%.

No campo dos indicadores, o IBGE divulgou que o volume de serviços no Brasil cresceu 0,1% em maio, registrando o quarto mês consecutivo de alta, embora o resultado tenha ficado abaixo das expectativas do mercado (0,2%). O Ministério da Fazenda revisou para cima a estimativa de crescimento do PIB de 2024, que passou de 2,4% para 2,5%.

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