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Mineiro é preso em operação que desmantela quadrilha de furto de petróleo
Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), realizada nesta quarta-feira (2), prendeu Márcio Pereira Gabry, um dos três irmãos mineiros conhecidos como “irmãos Gabry”, apontados desde 2019 como líderes de uma organização criminosa especializada no furto de petróleo em dutos da Transpetro, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A operação, batizada de “Infractio”, cumpriu três mandados de prisão e 20 de busca e apreensão. Mauro Pereira Gabry é considerado foragido, enquanto o terceiro irmão, Marcelo, não foi alvo nesta fase.
A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, que destacou a sofisticação do esquema: os criminosos utilizavam veículos alugados em nome de terceiros, contas bancárias de laranjas e comunicação criptografada. As investigações apontam que os irmãos lideravam todo o esquema: planejavam, financiavam e executavam os furtos.
Além de Márcio Gabry, foi preso Franz Dias da Costa, conhecido como “Francis”, que já se encontrava detido e é apontado pela Justiça como reincidente, tendo feito do furto de petróleo seu “modo de vida”.
Segundo o MPRJ, os irmãos Gabry foram denunciados anteriormente na operação Exagogi, em julho de 2023, que apontou 27 integrantes da organização. O grupo, de acordo com a denúncia, também contava com apoio de um policial militar, Anderson Cordeiro Machado, responsável por alertar sobre momentos de menor vigilância.
Tentativa recente e risco ambiental
A operação “Infractio” teve como gatilho um novo furto frustrado, em agosto de 2024, no município de Rio das Flores (RJ). Investigadores localizaram um túnel de aproximadamente sete metros que levava até o duto Orbel II da Transpetro. A ação criminosa, segundo o MP, poderia ter causado um vazamento com impacto direto no Rio Paraíba do Sul, ameaçando o abastecimento de água em municípios de três estados.
As autoridades destacaram o alto grau de periculosidade dos crimes, que envolvem riscos de explosão, contaminação ambiental e incêndios, além de prejuízos financeiros à estatal e à sociedade.
Financiamento do jogo do bicho e estrutura hierárquica
As investigações revelaram que o grupo criminoso era financiado por um contraventor ligado ao jogo do bicho, baseado no Rio de Janeiro. A estrutura da quadrilha incluía setores específicos para perfuração dos dutos, transporte e armazenamento do petróleo, rede de informantes, além de empresas de fachada e laranjas responsáveis pela lavagem de dinheiro.
Em fevereiro deste ano, a operação “Ouro Negro” havia identificado o envolvimento direto do contraventor no financiamento dos crimes. A polícia revelou que o dinheiro do jogo do bicho era usado para adquirir equipamentos de perfuração, alugar veículos e pagar colaboradores.
Grupo “BR Ratobras”
Em junho de 2022, a polícia identificou que os furtos eram organizados por meio de um grupo de mensagens chamado “BR Ratobras”. O grupo, segundo os investigadores, usava como símbolo um rato segurando um fuzil. Nesse ambiente digital, os criminosos trocavam informações e planejavam ataques principalmente durante a noite e em áreas remotas.
As investigações continuam, e o Ministério Público espera desarticular totalmente a estrutura financeira e operacional da organização criminosa.