Itabira Mais
Portal Mineiro de Notícias

Regulamentação das redes sociais: CGI.br apresenta texto com propostas

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgou, nesta quinta-feira (14), o texto final com os dez princípios que devem orientar a regulação das plataformas de redes sociais no país. O documento foi elaborado a partir de uma proposta preliminar submetida a consulta pública entre maio e junho, que recebeu cerca de 300 contribuições de representantes da academia, do governo, do setor empresarial e do terceiro setor.

Segundo a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, o debate sobre regulação é um dos mais urgentes e complexos da atualidade. “O CGI.br tem a responsabilidade de contribuir com uma visão equilibrada, fruto do nosso modelo multissetorial. Esses princípios buscam garantir que qualquer regulação fortaleça a democracia, proteja os direitos fundamentais e promova um ambiente digital mais transparente e seguro, sem sufocar a inovação”, afirmou.

A expectativa é que os princípios sirvam como guia para legisladores e para a sociedade, fornecendo bases técnicas e diversas perspectivas para reduzir os impactos negativos do uso das redes sociais. O coordenador do grupo de trabalho responsável pelo texto, Henrique Faulhaber, destacou que o documento será referência para a formulação de diretrizes futuras: “Nosso objetivo é propor soluções equilibradas, eficazes e alinhadas à dinâmica da internet e ao interesse público”.

Os dez princípios para a regulação de redes sociais definidos pelo CGI.br:

  1. Estado Democrático de Direito e soberania nacional – As plataformas devem respeitar a Constituição, a legislação brasileira e a diversidade cultural, garantindo a proteção da democracia e o desenvolvimento socioeconômico do país.
  2. Direitos humanos, liberdade de expressão e privacidade – A regulação deve proteger a dignidade humana, combater discursos de ódio e assegurar a liberdade de expressão, privacidade e direitos das crianças e adolescentes.
  3. Autodeterminação informacional – Os usuários devem poder decidir como seus dados são coletados, usados e compartilhados, especialmente em processos de perfilização e recomendação de conteúdos.
  4. Integridade da informação – É necessário garantir conteúdos precisos e confiáveis, promover informações de interesse público e combater fraudes e desinformação.
  5. Inovação e desenvolvimento socioeconômico – O marco regulatório deve estimular a economia digital, a criação de empregos dignos e a inovação tecnológica, promovendo inclusão e sustentabilidade.
  6. Transparência e prestação de contas – As plataformas devem ser claras sobre moderação, algoritmos e políticas de monetização, além de permitir verificações independentes e abertura de dados relevantes.
  7. Interoperabilidade e portabilidade – Usuários devem ter o direito de transferir seus dados entre serviços e utilizar diferentes plataformas de forma integrada, com base em padrões abertos.
  8. Prevenção e responsabilidade – Empresas devem adotar medidas para reduzir riscos sistêmicos e responder pelos danos causados pelo funcionamento de seus serviços.
  9. Proporcionalidade regulatória – A regulação deve considerar o porte, impacto e atividade de cada plataforma, adotando obrigações diferenciadas e revisadas periodicamente
  10. Governança multissetorial – O ambiente regulatório deve contar com instituições públicas e entidades independentes, garantindo participação plural e defesa do interesse público.

Com o documento, o CGI.br pretende contribuir para a construção de um marco regulatório que concilie proteção de direitos, segurança digital e incentivo à inovação no Brasil.

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, assine agora.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais informação