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Lula muda de estratégia e anunciará medidas contra tarifaço nesta terça-feira à noite
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão nesta terça-feira (5). A fala estava inicialmente prevista para o domingo (3), mas foi adiada para evitar coincidir com manifestações bolsonaristas realizadas em várias cidades do país.
Segundo fontes do governo, o discurso foi reformulado pela Secretaria de Comunicação (Secom). Em vez de focar exclusivamente em solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — alvo principal de ataques promovidos por apoiadores de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos —, Lula deverá priorizar medidas de resposta ao aumento tarifário imposto pelo governo de Joe Biden.
Na última semana, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 50% sobre produtos exportados pelo Brasil. A medida foi interpretada por autoridades brasileiras como uma retaliação política disfarçada de política comercial.
O presidente deve destacar o impacto dessas sanções na economia nacional, sobretudo nos empregos e nas empresas afetadas, e anunciar medidas de proteção e subsídios para os setores prejudicados.
Ainda que não cite diretamente o ministro Alexandre de Moraes, Lula deve mencionar, de forma indireta, os ataques à democracia brasileira e a suposta articulação de Jair Bolsonaro com autoridades norte-americanas.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também criticou duramente a atitude do governo dos Estados Unidos. Para ele, é “ultrajante” a tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil para favorecer Bolsonaro, ao mesmo tempo em que impõe barreiras comerciais ao país.
“Tenho enorme orgulho e senso de responsabilidade na missão de liderar o Itamaraty na defesa da soberania brasileira diante de ataques orquestrados por brasileiros em conluio com forças estrangeiras. Nesse conluio ultrajante, que tem como alvo a nossa democracia, os fatos e a realidade não importam para aqueles que se erguem como veículos antipatrióticos de intervenção externa”, declarou o chanceler.
Fonte: CartaCapital