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Entenda como o PCC usava metanol para fraudar combustíveis em todo o país

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (28/8) a megaoperação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação mira instituições financeiras e cerca de 1.000 postos de combustíveis em dez estados, incluindo Minas Gerais, usados para lavagem de dinheiro e adulteração de gasolina com metanol, substância altamente tóxica.

Segundo os investigadores, o metanol era importado como solvente — pagando menos impostos do que combustíveis — e depois misturado de forma clandestina à gasolina. Embora semelhante ao etanol, o produto é muito mais perigoso para a saúde. O chefe do núcleo mineiro da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Éder Oliveira, explica:
“Ele pode cegar e até matar. E o carro não foi feito para funcionar com metanol”, alerta.

Em julho, a ANP já havia flagrado postos no Sul de Minas com índices de metanol acima do permitido, mas sem provas de ligação direta com o crime organizado. “Existe a possibilidade”, pondera Oliveira.

O engenheiro mecânico e professor do Ibape-MG, Sérgio Melo, também reforça o perigo:
“A gasolina já é um risco enorme. Quando se adiciona metanol, o perigo é ainda maior”, afirma.

A ANP permite no máximo 0,5% de concentração de metanol na gasolina. No esquema ligado ao PCC, as investigações apontam adulterações que chegavam a 50%. Além do metanol, também eram importados nafta e hidrocarbonetos, usados de forma irregular para movimentar dinheiro ilícito.

A desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivana David, destacou a relevância da operação:
“Desta vez, a Polícia Federal apreendeu o produto químico que altera a gasolina. É como investigar o tráfico de drogas e chegar às indústrias químicas que fornecem os insumos para a cocaína”, comparou.

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