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Crime organizado fatura bilhões e sonegação supera PIB de 852 cidades de Minas

Facções criminosas têm diversificado suas atividades, afastando-se do foco exclusivo em tráfico de armas e drogas, e ampliando sua presença na economia formal do país. Empresas-fantasma abertas para lavagem de dinheiro e esquemas de sonegação têm permitido a grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentar cifras bilionárias, gerando prejuízos enormes ao governo. Estima-se que, em apenas três anos, a sonegação causada por essas atividades supere o PIB de 852 cidades mineiras.

Diversificação econômica do crime

Em 2024, operações da Polícia Federal (PF) identificaram que motéis, lojas de conveniência, postos de combustíveis, distribuidoras e fintechs estão sendo usados por criminosos para lavagem de dinheiro. Entre os setores de bebidas, combustíveis e cigarros, a sonegação de impostos chegou a cerca de R$ 62 bilhões entre 2020 e 2023, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Na capital Belo Horizonte, que tem PIB de R$ 105,8 bilhões, os impactos do crime organizado se mostram ainda mais graves, prejudicando orçamento público, geração de empregos e distorcendo a concorrência.

Operações recentes

As operações Carbono Oculto e Spare, realizadas pela PF e Receita Federal, identificaram fraudes principalmente no setor de combustíveis, com sonegação de ao menos R$ 8,67 bilhões. Mais de mil postos foram flagrados com irregularidades. Uma fintech funcionava como banco paralelo do crime, movimentando mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. O PCC também usou cerca de 60 motéis e outros estabelecimentos para lavar aproximadamente R$ 450 milhões.

Impactos e prejuízos

Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a infiltração do crime organizado gerou prejuízos de R$ 500 bilhões em 2022 e impediu a criação de quase 370 mil empregos. A movimentação de quadrilhas em 16 setores econômicos resultou em R$ 453,5 bilhões naquele ano.

Especialistas alertam que a sonegação não apenas reduz a arrecadação, mas também prejudica a economia formal, gera concorrência desleal e dificulta a manutenção de empregos e empresas honestas. Setores como criptomoedas, fintechs e casas de apostas são explorados para “esquentar” recursos ilícitos.

Desafios do combate

Apesar das operações recentes, o combate às quadrilhas ainda é insuficiente. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), por exemplo, recebeu um aumento de 766,6% nas comunicações de operações suspeitas entre 2015 e 2024, mas continua com apenas 93 servidores, cada um analisando, em média, 27,5 mil casos.

Para especialistas, é necessário fortalecer a estrutura do Estado, investir em tecnologia, dados e rastreabilidade para enfrentar a complexidade do crime organizado e reduzir a sonegação tributária.

Setores econômicos afetados

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que a sonegação no setor de combustíveis provoca prejuízos de R$ 30 bilhões ao ano, desequilibrando a concorrência. Já a CNI estima que a atuação de quadrilhas retira R$ 136 bilhões em impostos, afetando sustentabilidade, inovação e competitividade da indústria brasileira. O Sindicato Minaspetro destaca que a evasão fiscal no setor de combustíveis cria vantagem injusta para sonegadores, dificultando um mercado justo para empresários honestos.

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