Sob fogo cruzado, Prefeitura tenta amenizar desgaste com promessa de enxugar a máquina

Anúncio de medidas pode ter sido estratégia para conter desgaste com servidores após cortes e reajustes anunciados pela Prefeitura de Itabira

No mesmo dia em que o clima esquentou na Câmara Municipal com críticas contundentes ao governo municipal, a Prefeitura de Itabira anunciou um novo pacote de medidas de contenção de despesas. O destaque foi o corte de até 15% dos cargos comissionados e a reestruturação de secretarias e subsecretarias — uma sinalização que pode ter como objetivo suavizar o desgaste provocado pelas recentes decisões do Executivo, como o corte do cartão-alimentação de parte dos servidores e o aumento no valor do plano de saúde.

A Prefeitura justificou as medidas como parte de um planejamento para enfrentar a queda de arrecadação prevista até o fim de 2025, que pode chegar a cerca de R$ 300 milhões, segundo projeções das secretarias de Planejamento e Fazenda. As principais perdas vêm da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) e do ICMS, duas das maiores fontes de receita do município.

A redução de cargos comissionados estaria atrelada a uma reestruturação administrativa que envolve o corte de secretarias. No entanto, o governo ainda não detalhou quais pastas serão afetadas nem o número exato de cargos a serem extintos. Essa ausência de informações levantou questionamentos entre servidores, alguns apontando que o anúncio pode ter sido feito com o objetivo de “acalmar os ânimos”, especialmente após as polêmicas envolvendo perdas de benefícios dos funcionários.

Segundo o prefeito Marco Antônio Lage, a decisão vai além do atual momento de crise. “Estamos vivendo uma fase de queda de arrecadação, mas temos questões econômicas externas que influenciam diretamente a nossa economia interna. É algo muito típico de uma cidade dependente de uma única atividade. […] Temos o dever de buscar a diversificação econômica, mas também de estarmos mais preparados para futuras oscilações”, afirmou.

Além do corte de cargos, a Prefeitura já iniciou a elaboração de uma nova reforma administrativa, com a promessa de enxugar a máquina pública de forma estruturada. O pacote também inclui medidas como a redução da frota de veículos oficiais, suspensão de horas extras, revisão de convênios e contratos, e corte de 30% nos gastos de todas as secretarias.

Outro projeto enviado à Câmara prevê a redução de 15% nos salários de todos os comissionados, incluindo secretários, prefeito e vice-prefeito, além da reformulação na concessão do cartão-alimentação, que passa a obedecer critérios de faixa salarial.

Nos bastidores, no entanto, o anúncio é visto por parte dos servidores como uma resposta estratégica à pressão política. A sessão desta segunda-feira (29) na Câmara foi marcada por fortes críticas de servidores à condução da gestão municipal, especialmente após a proposta que retira benefícios e aumenta custos para os servidores.

Enquanto a Prefeitura reforça o discurso de responsabilidade fiscal, cresce o sentimento entre parte do funcionalismo de que o pacote de cortes pode ser mais uma manobra para reduzir o impacto negativo de medidas impopulares. Resta saber se as ações efetivamente trarão o equilíbrio prometido ou se o desgaste político seguirá como marca do atual momento da administração.

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