O Ministério das Relações Exteriores informou na terça-feira (6) que o passaporte encontrado em Portugal em nome de Eliza Samudio não possui validade, pois está expirado e oficialmente cancelado. O documento será encaminhado ao Brasil e ficará sob a guarda do Itamaraty, à disposição da família da brasileira.
Em comunicado enviado à imprensa, o ministério esclareceu que orientou o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa a remeter o passaporte para a sede do Itamaraty, em Brasília. Segundo a pasta, o documento não tem qualquer efeito administrativo ou migratório. Caso a família manifeste interesse, poderá solicitar o recebimento do passaporte.
O material foi localizado no fim de 2025 em um apartamento alugado em Lisboa e entregue às autoridades brasileiras na última sexta-feira (2). A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Leo Dias e, posteriormente, confirmada tanto pelo consulado brasileiro quanto por Sônia Moura, mãe de Eliza Samudio.
De acordo com os relatos, o passaporte estava guardado entre livros em uma sala de uso compartilhado do imóvel. O homem que encontrou o documento, identificado apenas como José, reside no local com familiares e outros inquilinos. Ao reconhecer o nome e a fotografia, ele decidiu procurar o consulado brasileiro para fazer a entrega.
Em depoimento, José afirmou que ficou surpreso ao identificar o documento, por se tratar de um caso de grande repercussão no Brasil e no exterior. Fontes oficiais confirmaram que o passaporte é autêntico e não apresenta indícios de ter sido emitido como segunda via.
O documento contém um carimbo de entrada em Portugal datado de 2007, sem registro oficial de saída do país europeu. Eliza Samudio foi assassinada no Brasil em 2010, três anos após a data registrada no passaporte. Não há informações oficiais sobre como ela retornou ao país, embora exista a hipótese de que o documento tenha sido perdido e que ela tenha utilizado uma autorização especial para voltar ao Brasil.
Nas redes sociais, Sônia Moura afirmou que a divulgação do caso trouxe novamente à tona a dor do luto e destacou que, para a família, não existem dúvidas sobre a morte da filha.
O Itamaraty informou que não há previsão de abertura de investigação relacionada ao passaporte e que a descoberta não altera a situação jurídica do caso, que já foi concluído na Justiça. O assassinato de Eliza Samudio ocorreu há cerca de 16 anos e teve ampla repercussão nacional.
As investigações apontaram que Eliza foi mantida em cárcere privado no sítio do ex-goleiro Bruno Fernandes, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, antes de ser morta. O corpo nunca foi localizado. Bruno foi condenado por homicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, com pena superior a 20 anos. Ele passou ao regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Outros envolvidos também foram condenados.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o passaporte permanecerá sob a guarda do Itamaraty até que a família se manifeste oficialmente sobre o interesse em receber o documento.