Jair Bolsonaro (PL) voltou a repetir um comportamento que o acompanha desde o início de sua carreira política: o medo constante de sofrer algum tipo de envenenamento. Detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, o ex-presidente passou a receber suas refeições exclusivamente de três pessoas escolhidas por sua equipe jurídica, consideradas de “confiança total”. De acordo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a medida não representa suspeita direta sobre os agentes da PF, mas sim uma preocupação com o caminho percorrido pelos alimentos até chegarem ao pai. “Não sabemos por onde passa nem quem manuseia”, disse ele.
Para quem já trabalhou ao lado de Bolsonaro, essa atitude não é surpreendente. O ex-presidente sempre demonstrou um temor permanente de ameaças invisíveis, influenciado por relatos do período da ditadura, teorias de bastidores e um forte traço de desconfiança. Em seu governo, circulava a informação de que ele dormia armado no Palácio da Alvorada, preparado caso alguém tentasse um ataque inesperado.
Durante sua atuação política, episódios semelhantes se repetiram. Ainda como deputado e, mais tarde, como candidato em 2018, Bolsonaro evitava hospitais onde Lula e Dilma haviam sido atendidos, receoso de que um profissional simpático ao PT pudesse prejudicá-lo. Já na Presidência, adotou o hábito de levar consigo grandes quantidades de água mineral brasileira em viagens, inclusive internacionais. Em compromissos no exterior, assessores transportavam malas exclusivas com garrafas consideradas “seguras”. Em Brasília, a cautela se mantinha em entrevistas, debates e até em ambientes oficiais.