O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta sexta-feira (9), a nomeação de Manoel Carlos de Almeida Neto como ministro interino da Justiça e Segurança Pública. A decisão foi tomada após a exoneração, a pedido, de Ricardo Lewandowski e foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. A escolha temporária sinaliza que o Palácio do Planalto ainda não pretende anunciar, de imediato, um titular definitivo para o comando da pasta.
Nos bastidores do governo, a avaliação é de que Lula estuda mudanças estruturais no ministério, incluindo a possibilidade de desmembrar a atual pasta em duas: uma voltada exclusivamente para a Justiça e outra dedicada à Segurança Pública. A proposta, no entanto, tem gerado disputas internas dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e também entre legendas da base aliada, que veem no eventual novo ministério uma oportunidade de ampliar espaço político no governo federal.
Com a possível criação de uma pasta exclusiva para a Segurança Pública, alguns nomes já circulam como potenciais indicados. Entre eles estão o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, considerado um nome técnico e de confiança do presidente, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho. Ambos são vistos como quadros capazes de dialogar com diferentes setores do governo e do Congresso Nacional.
Outros nomes também aparecem nas articulações políticas, como a deputada federal Delegada Adriana Accorsi, que tem trajetória ligada à área da segurança, e o secretário de Segurança Pública do Piauí, Francisco Lucas Veloso. Este último conta com o apoio do governador Rafael Fonteles e do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, o que fortalece seu nome nas negociações internas. Além deles, Marco Aurélio de Carvalho, integrante do grupo Prerrogativas, também é citado como possível opção para integrar o novo desenho ministerial.
Para o comando definitivo do Ministério da Justiça, caso a pasta seja mantida ou reorganizada, além do atual interino Manoel Carlos de Almeida Neto, outro nome lembrado é o de Wellington Cesar Lima e Silva, que atualmente ocupa o cargo de advogado-geral da Petrobras. A escolha dependerá do formato final que o governo decidir adotar para a estrutura ministerial e do equilíbrio político que Lula pretende construir nos próximos meses.
Esse movimento ocorre em um momento de reposicionamento estratégico do governo federal. A expectativa é de que cerca de 20 ministros deixem seus cargos até abril para disputar as eleições municipais, o que deve provocar uma ampla reforma ministerial. Nesse contexto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública passa a ser visto como uma peça-chave na articulação política, especialmente para acomodar aliados e fortalecer a base no Congresso.
O PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, é uma das legendas que podem ganhar protagonismo nesse processo. Integrantes do Planalto avaliam que a redistribuição de cargos pode ser usada para consolidar alianças e reduzir tensões internas, sobretudo diante de um cenário eleitoral que exige maior coesão entre os partidos governistas.
O nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) voltou a ser mencionado para assumir o Ministério da Justiça, mas o parlamentar tem demonstrado resistência. Pacheco já deixou claro a interlocutores que não pretende aceitar o cargo como forma de compensação por não ter sido indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A vaga na Corte ficou com Jorge Messias, atual advogado-geral da União, cuja indicação ainda depende de sabatina e aprovação do Senado.
Apesar das tensões iniciais, o Palácio do Planalto avalia que a resistência ao nome de Jorge Messias diminuiu após uma rodada de diálogo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A expectativa do governo é de que, com as articulações em curso, seja possível avançar tanto na definição do novo desenho ministerial quanto na consolidação das indicações estratégicas para áreas consideradas sensíveis.
Enquanto isso, Manoel Carlos de Almeida Neto segue no comando interino da Justiça e Segurança Pública, garantindo a continuidade administrativa da pasta até que o presidente bata o martelo sobre o futuro da estrutura e dos nomes que irão compor o núcleo político do governo.