Lula fala com presidente interina da Venezuela após prisão de Maduro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve uma conversa telefônica com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para tratar da operação militar realizada pelos Estados Unidos que resultou na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto nesta segunda-feira (5).

De acordo com o governo brasileiro, o contato teve como objetivo alinhar informações sobre a ação ocorrida no sábado (3). Durante a ligação, Lula confirmou dados divulgados pela imprensa internacional e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diretamente com a nova chefe do Executivo venezuelano.

A conversa ocorreu na manhã de sábado, pouco antes da reunião de emergência convocada no Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, e foi considerada breve. Na ocasião, os dois líderes discutiram o cenário político e institucional da Venezuela após a prisão de Maduro pelas forças militares norte-americanas. O presidente brasileiro manifestou preocupação com a operação militar conduzida pelos Estados Unidos.

Após a reunião de emergência, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que há muitas informações desencontradas sobre a situação na fronteira entre Brasil e Venezuela, mas garantiu que, até o momento, a região permanece tranquila.

Delcy Rodríguez assumiu interinamente a presidência da Venezuela em cerimônia oficial realizada nesta segunda-feira (5), após decisão da Suprema Corte do país para garantir a continuidade administrativa do Estado.

Cronologia da prisão de Nicolás Maduro

Ataque e captura (02h50 – 03h20)
Por volta das 2h50 da madrugada, moradores de Caracas relataram explosões, tremores e a presença de aeronaves militares sobre a capital venezuelana. Pelo menos sete explosões foram registradas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Segundo informações do The New York Times, a ofensiva inicial deixou ao menos 40 mortos.

Às 3h, tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Nicolás Maduro estava acompanhado da esposa, Cilia Flores. Informações de inteligência da CIA, que monitorava a rotina do ex-presidente desde agosto, teriam sido decisivas para o êxito da operação.

Cerca de 20 minutos depois, Maduro e Cilia Flores foram retirados do local por helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado no Mar do Caribe.

Operação concluída (06h21 – 13h40)
Às 6h21, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente a captura por meio da rede social Truth Social, afirmando que Maduro havia sido retirado do país por via aérea.

Minutos depois, a televisão estatal venezuelana classificou a ação como um sequestro e acusou os Estados Unidos de violar a soberania nacional e a Carta das Nações Unidas. O governo chavista também alegou que a operação teria como objetivo o controle dos recursos minerais e do petróleo do país.

Por volta das 13h23, Trump divulgou a primeira imagem de Maduro sob custódia. Na foto, o ex-presidente aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido.

Às 13h40, durante coletiva realizada em Mar-a-Lago, Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente o controle administrativo da Venezuela para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou apoio à opositora María Corina Machado, alegando falta de força política para governar sozinha.

Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)
Às 15h, Delcy Rodríguez rejeitou publicamente a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, horas depois, a Suprema Corte venezuelana determinou que ela assumisse interinamente a presidência do país.

Às 18h40, a aeronave militar que transportava Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por agentes federais da DEA, ele foi submetido aos procedimentos de fichamento, incluindo coleta de digitais e registro fotográfico.

Custódia e julgamento
Por volta das 23h, Nicolás Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, onde também estão detidos outros réus de grande repercussão internacional.

Na tarde desta segunda-feira (5), às 14h, Maduro passou por audiência de custódia. O caso está sob responsabilidade do juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos.

Segundo fontes militares citadas pela CNN, nenhum soldado americano morreu durante a operação, embora alguns tenham sofrido ferimentos leves causados por estilhaços durante os confrontos em solo venezuelano.

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