Parlamentares do Centrão articulam a votação da proposta que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. O tema, no entanto, está travado na Câmara dos Deputados e enfrenta resistência em meio à pressão de bancadas que defendem a inclusão da anistia na pauta.
Na última semana, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo prioridade para a votação. Motta confirmou apoio, mas afirmou que ainda não há data definida para levar o projeto ao plenário. O governo pressiona para que a aprovação aconteça ainda em setembro.
Impasses no texto
O relator da proposta, deputado Arthur Lira (PP-AL), garante que pretende manter a redação aprovada pela comissão especial, que prevê uma taxa mínima para rendimentos acima de R$ 600 mil anuais, chegando a 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão por ano.
O PL deve apresentar destaques para retirar a taxação dos super-ricos, enquanto setores de partidos como União Brasil demonstram apoio à ideia de anistia, pressionando para que o tema seja votado junto.
Contexto político
A discussão ganhou força em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado. Parlamentares afirmam que há pressa em avançar com a votação da isenção do IR após o resultado do julgamento, previsto para os próximos dias.
Apesar do impasse, há consenso entre governo e oposição de que ninguém votará contra a ampliação da faixa de isenção, considerada uma pauta popular. Ainda assim, parte da oposição defende que a compensação fiscal fique para o próximo governo.
Pressões internas
O presidente da Câmara, Hugo Motta, vem sendo pressionado por governistas e pela oposição. Aliados mais moderados o aconselham a não tensionar com o STF. Motta, porém, enfrenta desgaste político: sua cidade natal, Patos (PB), administrada por seu pai, Nabor Wanderlei (Republicanos), é alvo da Polícia Federal por suspeitas de fraudes e desvios de emendas parlamentares.
O papel do Senado
O governo avalia que, mesmo se aprovada na Câmara, a proposta pode ser barrada no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), articula um texto alternativo que agrade tanto ao STF quanto ao Executivo. Alcolumbre já se declarou contra a inclusão de anistia a Bolsonaro na proposta.
A isenção do IR é considerada uma das principais bandeiras do governo Lula para fortalecer sua imagem e preparar terreno para as eleições de 2026.