O conflito entre Israel e Irã chegou ao sexto dia, marcado por intensos ataques de mísseis, centenas de mortos e ameaças de escalada internacional. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, fez um alerta direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre “danos irreparáveis” caso o país entre na guerra ao lado de Israel.
Em pronunciamento na TV estatal, Khamenei afirmou que o Irã não irá se render, classificando como “irracional” a exigência de Trump por uma rendição incondicional. O líder iraniano ainda reforçou que “ameaças não alteram o comportamento da nação iraniana”.
Trump, por sua vez, declarou que espera “algo melhor que um cessar-fogo” e chegou a afirmar saber a localização de Khamenei, mas descartou, “pelo menos por enquanto”, qualquer operação para matá-lo. Segundo a CBS News, os Estados Unidos consideram apoiar Israel em ataques contra instalações nucleares iranianas.
Questionado sobre essa possibilidade, Trump respondeu: “Posso fazer isso, posso não fazer. Ninguém sabe o que eu vou fazer. Mas posso dizer que o Irã está com muitos problemas e quer negociar”.
Escalada militar
Nas últimas horas, Israel bombardeou duas instalações de produção de centrífugas no Irã, segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Além disso, atacou a Universidade Imam Hossein, em Teerã, e uma unidade de produção de mísseis em Khojir.
O Irã respondeu com o lançamento de mísseis hipersônicos Fattah-1 contra alvos em Israel. Segundo a imprensa iraniana, os ataques foram direcionados a instalações estratégicas.
O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Effie Defrin, declarou que o país “assumiu controle aéreo total sobre Teerã” e destruiu “um terço dos lançadores de mísseis do Irã”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que os objetivos são “eliminar a ameaça nuclear e enfraquecer o programa de mísseis balísticos iraniano”.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, destacou que a mudança de regime no Irã não é o objetivo da ofensiva, mas sim danificar severamente o programa nuclear e o arsenal de mísseis do país.
Número de mortos cresce
Os números de vítimas são alarmantes. Dados oficiais apontam pelo menos 248 mortos — 224 no Irã e 24 em Israel. Já a ONG Human Rights Activists in Iran (HRANA) contabiliza 452 mortos e 646 feridos no Irã, incluindo civis e militares.
O clima em Teerã é de desespero. Milhares de pessoas tentam deixar a cidade, gerando congestionamentos e relatos de exaustão, segundo a BBC.
Reação internacional
A escalada do conflito provocou reações em todo o mundo. A China pediu que Israel e Irã adotem medidas imediatas para reduzir as tensões e evitar um agravamento da crise.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a diplomacia é o melhor caminho, mas reconheceu que Israel tem o direito de se defender diante da possibilidade do Irã desenvolver armas nucleares.
No Conselho de Segurança da ONU, o embaixador iraniano, Amir Saeid Iravani, declarou que o país age em legítima defesa. Ele acusou Israel de atacar civis, enquanto Netanyahu defendeu que os bombardeios têm como alvo apenas instalações nucleares e militares.
Decisão dos EUA pode mudar rumos do conflito
Para analistas internacionais, a decisão dos Estados Unidos será determinante para os próximos passos. O jornalista Frank Gardner, da BBC, afirma que uma intervenção americana poderia ampliar o conflito para toda a região do Golfo, colocando bases americanas no Iraque, Bahrein e Kuwait como possíveis alvos do Irã.
Além disso, há o risco de ataques iranianos a infraestruturas estratégicas, como terminais de exportação de petróleo, usinas de dessalinização e até o estreito de Ormuz, por onde passa quase 30% do petróleo mundial.
Enquanto isso, não há sinais de recuo de nenhuma das partes, e o temor de uma guerra de grandes proporções cresce a cada hora.