As movimentações políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para as eleições de 2026 deverão ocorrer diretamente da cela onde ele cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A interlocução com aliados será feita por meio de familiares — especialmente os filhos e a esposa — que terão acesso autorizado ao ex-chefe do Executivo.
Bolsonaro começou oficialmente a cumprir pena nesta terça-feira (25), após determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou por participação na tentativa de golpe. Até então, aliados afirmavam que ele seria o responsável por montar as chapas majoritárias nos estados e apontar o nome que deveria substituí-lo na disputa presidencial.
Com a transferência para a prisão na PF, parte dessas expectativas foi revista. As visitas permanecem restritas a familiares diretos, médicos e advogados — únicos a entrar sem autorização prévia. A limitação reduz o contato político direto, mas não elimina a influência do ex-presidente sobre o partido.
Em coletiva concedida na segunda-feira (24), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) garantiu que todas as decisões sobre as eleições de 2026 continuarão passando pelo aval do pai. “As decisões sobre os palanques nos estados serão tomadas ouvindo as lideranças locais e reportando ao nosso líder maior, o presidente Bolsonaro”, afirmou.
A direção do PL também reforça esse entendimento. Em Minas Gerais, o deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual da sigla, afirma que Bolsonaro segue como a principal referência da direita no país e que continuará tendo peso decisivo na definição de candidaturas. A mesma visão é compartilhada pelo deputado estadual Bruno Engler (PL), que destaca a fidelidade dos apoiadores ao ex-presidente.
Segundo Engler, as orientações políticas serão repassadas pela família. “Ele está preso, mas não está morto. A decisão de quem ele vai apoiar — para presidente, governador, senador — será comunicada por sua esposa e seus filhos. Temos que respeitar, porque ele continua sendo a liderança que direciona nossos rumos”, afirma.
Mesmo detido, Bolsonaro permanece como figura central nas articulações internas do PL, que trabalha sob a expectativa de que sua influência seguirá determinante no próximo ciclo eleitoral.