Extremistas islâmicos mataram pelo menos 55 pessoas na cidade de Darul Jamal, no nordeste da Nigéria, na noite de sexta-feira (5), segundo informações de um funcionário de ONG e do chefe de uma milícia civil, neste sábado (6). A cidade abriga uma base militar na fronteira com Camarões.
O ataque começou por volta das 20h30 locais (16h30 de Brasília), quando combatentes chegaram em motocicletas, disparando fuzis de assalto e ateando fogo em casas. “Vieram gritando, atirando em todos”, relatou Malam Bukar, que conseguiu fugir com a esposa e três filhos. “Quando voltamos ao amanhecer, os corpos estavam por toda parte.”
Entre os mortos estão militares: uma fonte de segurança afirma que cinco soldados morreram, enquanto o chefe da milícia, Babagana Ibrahim, contabilizou seis. Um trabalhador de ONG internacional estimou que o número total de vítimas pode ter chegado a 64. Muitas famílias afetadas haviam sido recentemente realocadas de um campo de deslocados em Bama, cidade próxima à fronteira com Camarões.
O ataque foi atribuído a um comandante do Boko Haram, grupo extremista que desde 2019 mantém uma insurgência sangrenta no nordeste da Nigéria. A violência já deixou cerca de 40.000 mortos e mais de dois milhões de deslocados na região.
Embora os ataques jihadistas tenham diminuído desde o auge da insurgência do Boko Haram, entre 2013 e 2015, militantes de grupos rivais, como o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), continuam a realizar ataques em áreas rurais.