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Netinho, voz de “Milla” e um dos símbolos do axé, morre aos 60 anos
Artista baiano enfrentava um linfoma não Hodgkin; segundo a equipe do cantor, quadro evoluiu para falência renal e disfunção de múltiplos órgãos
O cantor Netinho, uma das vozes que ajudaram a levar o axé baiano para todo o Brasil, morreu na manhã desta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador.
A morte foi anunciada pela equipe do artista nas redes sociais. Segundo a assessoria, Netinho enfrentava nos últimos meses um linfoma não Hodgkin do tipo B, e seu estado de saúde evoluiu para falência renal e comprometimento de múltiplos órgãos.
O cantor estava em tratamento na capital baiana após a doença voltar a se manifestar. O câncer havia sido diagnosticado em 2025 e, depois de tratamento e período de melhora, houve uma recidiva em 2026.
Despedida será reservada
A família não realizará uma cerimônia pública.
De acordo com a assessoria, o velório e a cremação serão restritos a familiares e amigos próximos, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio Netinho.
Até o momento, horário, local e demais detalhes da despedida não foram divulgados. A equipe pediu respeito à privacidade da família durante o período de luto.
De Santo Antônio de Jesus para o Brasil
Batizado como Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde sua relação com a música se fortaleceu.
A carreira ganhou projeção no final dos anos 1980. Depois de ingressar na Banda Beijo, Netinho estreou no circuito oficial do Carnaval de Salvador como vocalista do grupo em 1988.
Naquele mesmo período, “Beijo na Boca” ganhou espaço nas rádios e ajudou a ampliar a presença da música baiana no cenário nacional.
Em 1990, Netinho e a Banda Beijo também participaram de uma experiência histórica para o carnaval baiano, levando um trio elétrico para a Itália durante a Copa do Mundo.
Carreira solo e sucesso com “Milla”
Netinho iniciou a carreira solo no começo dos anos 1990 e ampliou ainda mais sua popularidade.
Canções como “Menina”, “Capricho dos Deuses”, “Preciso de Você”, “Fim de Semana” e “Milla” se tornaram referências de diferentes fases de sua trajetória.
Foi justamente “Milla”, lançada em 1996 no álbum Netinho ao Vivo, que se transformou no maior sucesso de sua carreira e em uma das músicas mais associadas ao auge comercial do axé nos anos 1990. Segundo a biografia oficial do artista, a gravação teve versões em vários idiomas e ajudou o álbum a alcançar milhões de cópias vendidas.
O cantor também passou anos percorrendo o Brasil em carnavais, micaretas, trios elétricos e grandes apresentações, consolidando seu nome entre os artistas mais conhecidos da música produzida na Bahia.
Tratamento era acompanhado pelos fãs
Nos últimos anos, Netinho utilizava as redes sociais para compartilhar momentos de sua rotina e informações sobre a saúde.
O diagnóstico do linfoma foi tornado público em 2025. Depois de passar por tratamento, ele chegou a retomar atividades, mas a doença voltou a avançar em 2026.
Nas últimas semanas, o cantor havia reduzido sua presença nas redes para concentrar os esforços no tratamento.
Segundo sua equipe, mesmo durante esse período, Netinho demonstrava gratidão pela carreira construída e pelo carinho recebido dos fãs. A assessoria informou que ele morreu tranquilo.
Legado de uma geração do axé
A morte de Netinho encerra uma trajetória diretamente ligada à expansão do axé para além da Bahia.
Entre o fim da década de 1980 e os anos 1990, o cantor participou do período em que artistas baianos passaram a ocupar com frequência programas de televisão, rádios, grandes eventos e carnavais de diferentes regiões do país.
Sua voz ficou especialmente ligada aos trios elétricos e às micaretas que marcaram aquela geração.
Netinho deixa como principal legado uma discografia que atravessou décadas e músicas que seguem associadas à história do Carnaval brasileiro.