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Caso morte de gari: Justiça exige rota da BYD e libera acesso ao WhatsApp de empresário

A Justiça mineira determinou que a montadora Build Your Dreams (BYD) e a operadora Claro forneçam informações que possam ajudar a esclarecer o assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, 44 anos, ocorrido na última segunda-feira (11). O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, 47, é o principal suspeito do crime.

A decisão, assinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte, exige que a BYD envie detalhes sobre o trajeto percorrido pelo veículo do suspeito, entre 7h e 16h no dia do crime, incluindo rotas, velocidade, comandos de voz e registros do sistema de rastreamento. A Claro deverá apresentar as ligações telefônicas feitas no mesmo período.

Também foi autorizada a quebra de sigilo telefônico e telemático do celular apreendido com Renê, permitindo acesso a mensagens de aplicativos e e-mails. Segundo a magistrada, o sigilo das comunicações pode ser relativizado em investigações de crimes graves.

O advogado da família da vítima, Tiago Lenoir, comemorou a decisão e informou que pediu ainda o bloqueio de bens do suspeito para garantir reparação à viúva e à filha de Laudemir, de 15 anos.

Renê está preso no Presídio de Caeté desde terça-feira (14), após ter a prisão temporária decretada na audiência de custódia. Ele foi autuado por homicídio duplamente qualificado — por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima — e por ameaça contra a motorista do caminhão de coleta. O juiz que manteve a prisão destacou que o acusado já responde a processo por lesão corporal grave em São Paulo.

O crime

O homicídio aconteceu por volta das 9h, no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. Testemunhas relataram que o motorista de um BYD cinza, identificado como Renê, teria ameaçado atirar na motorista de um caminhão de coleta e, em seguida, disparou contra o gari Laudemir, que foi atingido no tórax. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não resistiu.

Após o crime, o suspeito fugiu e foi localizado horas depois em uma academia no bairro Estoril. Segundo testemunhas, Renê deixou o local do disparo “tranquilo e com semblante de bravo”.

Investigação

De acordo com o delegado Evandro Radaelli, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas confirmaram a presença de Renê na cena do crime. Uma pistola calibre .380 foi apreendida e encaminhada à Corregedoria da Polícia Civil para perícia, já que pertence à esposa do suspeito, a delegada Ana Paula Lamego Balbino.

A polícia apura se a arma utilizada no homicídio é a mesma registrada em nome da delegada e se houve falha na guarda do armamento.

Vítima e repercussão

Colegas e familiares descreveram Laudemir como trabalhador, pacífico e dedicado à família. Ele deixou esposa, filha e enteadas. Durante o velório, realizado na Igreja Quadrangular, em Nova Contagem, familiares cobraram justiça e denunciaram a violência sofrida por garis.

A mãe da vítima passou mal durante a cerimônia e precisou ser levada ao hospital. O sócio-proprietário da Localix, empresa onde Laudemir trabalhava, afirmou que a categoria está mobilizada e exigirá responsabilização.

Perfil do suspeito

Renê é executivo com passagem por empresas como Coca-Cola, Vigor, Red Bull e Ambev. Há menos de duas semanas, assumiu a diretoria de negócios da Fictor Alimentos, que repudiou o crime e manifestou solidariedade à família da vítima. Ele nega envolvimento no assassinato e afirma que, no dia, seguiu sua rotina de trabalho antes de ir à academia.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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